Nascida na Região Metropolitana de São Paulo, a sexta maior área urbana do mundo, com quase vinte milhões de habitantes, Clara Haddad, depois de experimentar viver nos Estados Unidos e no Canadá, dando seguimento aos seus estudos, resolveu aceitar o novo desafio de aportar em terras lusitanas. Ela conta - “vim parar aqui em 2000 por causa do meu trabalho como atriz e produtora, mas logo voltei ao Brasil. Depois surgiram outros convites em Portugal para dinamizar oficinas de teatro, expressão dramática para crianças, e oficinas direcionadas a educadores na arte de contar histórias. Eu estava sempre indo e vindo pois não queria deixar o Brasil, onde seguia com trabalhos de TV e teatro, e nas minhas férias voltava para Portugal. Até que em 2005 decidi viver com menos violência urbana e mudei-me definitivamente para o Porto, amo essa cidade, amo viver em Portugal, é a minha segunda casa. Não penso em viver em outro país da Europa, Portugal é minha base para tudo. Sempre quando volto de viagem depois de digressões por outros países me emociono muito ao pisar o solo português e ouvir o típico "pá". Aqui tenho meus amigos,
meu trabalho, minha casa. Amo a comida, o clima, as pessoas”.
Ainda no Brasil, Clara Haddad licenciou-se em Educação Física e Artes Cênicas, identificando-se mais tarde com técnicas de Narração Oral, Teatro Físico e Dança. Trabalhou como atriz em diversos espetáculos teatrais e curtas-metragens brasileiros, e como coreógrafa de programas de TV, como o “Gente Inocente” (TV Globo), e “Casa dos Artistas” (SBT), e também, espetáculos infantis, como o "Benvinda, a Bruxinha Diferente" e “O Mistério do Fantasma Apavorado”, de Walcyr Carrasco, entre outros. Frequentou em Los Angeles o Edge Performs Art Center e Madonna Grimes Fitness Theatre, onde especializou-se em Jazz e Hip-Hop, e seguiu pelo Brasil, Estados Unidos e Canadá, desenvolvendo oficinas e cursos de dança em convenções e congressos.
Desde que chegou em Portugal, Clara trabalha como narradora de contos para crianças, jovens e adultos, e já passou por diversos festivais, teatros, bibliotecas, escolas e eventos culturais, mostrando espetáculos e dando formações por todo o país. É criadora da “Contos da Carochinha - Brincadeiras com arte”, e costuma organizar em Maia, o evento “Sexta dos Contos”, onde ela convida profissionais portugueses e estrangeiros para narrarem suas histórias. É também parte integrante da equipe do projeto educativo (ganhador do Prêmio de Acreditação 2007) do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, onde desenvolve um trabalho pioneiro que une meditação, visualização criativa e contos.
Clara desenvolve uma pesquisa de resgate da tradição oral árabe, brasileira e portuguesa, escreve textos e contos, possuindo um extenso repertório. No início deste ano, Clara contou suas histórias por vários países como, Perú, Espanha e Bélgica, além de Portugal e Brasil. Esta turnê que durou quatro meses, contou com o apoio do Clube de Espanha no Porto e da Embaixada Brasileira. “Estou levando a cultura lusófona para várias partes do mundo. É impressionante a aceitação que tenho tido nos lugares pelos quais passei. Percorri a Amazônia, passei por países da Europa e América Latina, e tenho tido experiências muito interessantes com os contrastes de culturas, aprendi muito e cresci muito como ser humano. Tive a sorte e o privilégio de contar histórias em grandes teatros, mas também em comunidades indígenas e ONGs de proteção ao menor. Também em Portugal, sempre fui extremamente bem tratada e recebida em todos os espaços que me apresentei. O povo português é muito receptivo” - conta Clara.
Depois de passar por sua terra natal, além de matar saudades, Clara aproveitou para fazer um balanço de como está a situação por lá. “Penso que o Brasil é uma país que segue em crescimento. Na parte cultural tem um leque de opções invejável. Há muitas produções e atividades culturais. Na parte social ainda há muito o que caminhar, ajustar, criar, fazer, mas aos poucos sinto que há um maior interesse das pessoas para que o país evolua. Tenho esperanças”. E comenta também sobre a sua segunda casa, Portugal - “como todo país da união europeia, Portugal está enfrentando uma crise. Na parte cultural existem poucos incentivos a grupos e companhias de teatro. Porém, na parte social há um bom apoio ao cidadão, coisa que no Brasil não funciona como deve ser”.
Com tantas atividades, a artista ainda encontrou tempo para o lançamento do seu primeiro livro “Histórias de Quem Conta Histórias”, realizado este ano, dentro do Simpósio Internacional de Contadores de Histórias do Rio de Janeiro. E ainda, promete lançar muito em breve, em Portugal, um DVD de contos, também de sua autoria, além de estar organizando para setembro um curso intensivo de narração, no Porto. Seu lema de vida é “faça o que quer fazer hoje pois pode não haver um amanhã. Sigo muito isso em meus dias, me proponho e busco meus sonhos e penso que é isso que todos deveriam fazer. Acreditar em si e seguir o que o seu coração diz”.